Quando o narrador de voz estranha anunciou a ausência de Messi na escalação do Barcelona, eu já não estava surpreendido. Fiquei sabendo algumas horas antes que a minha grande e esperada experiência épica de ir ao Camp Nou se dissolvera pela metade por um cartão amarelo e a conseqüente suspensão sofrida pelo argentino na rodada anterior. Acontece que a reação da maioria à minha volta foi tão descontente, e em alguns casos tão desconsolada, que não pude deixar de me juntar à corrente e voltar a praguejar aos quatro cantos do estádio minha insatisfação em ver O Barcelona sem poder contar depois aos meus filhos que a grande estrela realmente esteve lá. Mas como isso são coisas para se pensar no futuro, decidi esquecer prontamente e me voltar ao espetáculo que se passava no Camp Nou – eu estava lá.

Os primeiros 45 minutos foram de total domínio do Barcelona, como era de se esperar e como eu torcia profundamente. Durante toda a primeira etapa, não houve qualquer tentativa de chute por parte do Sporting de Gijón, que marcava todo em seu campo de defesa e tentava, assim como todo o resto dos 72 mil espectadores, entender o que faziam aqueles malucos do Barcelona. A torcida, por sinal, é um ponto a se destacar de toda a experiência. Aqui mesmo neste blog, outro dia, escrevi acerca do torcedor alemão e sua frieza típica. Pois bem, estava completamente equivocado em pensar que aquele era um fenômeno exclusivamente alemão ou de países menos calorosos: a torcida espanhola – ou os blaugranas – é ainda menos ruidosa. A verdade, creio, é que a grande maioria presente não é formada exatamente de torcedores, mas por apreciadores de futebol que, como eu, viajam quilômetros pelo mundo com destino à Catalunha atraídos por uma possibilidade.

Sentado de sua cadeira você pode ver: brancos, loiros, negros, famílias e asiáticos mirando os ecrãs de suas máquinas fotográficas – e vendo toda a partida através deles -, brasileiros falando alto ou redondos ingleses cor de tomate. Tudo. E com menos freqüência, o torcedor típico a que estamos acostumados no Brasil.

Sobre o resto da partida, acredito não haver tanta necessidade de discorrer sobre. Os melhores momentos, gols e, se você tem uma boa lista de sites, até a partida inteira estão disponíveis pela internet. Procurando por lá, você vai ver que no início do segundo tempo, o Barcelona passou um sufoco com a expulsão de Piqué e o empate do Gijón. Verá também que tudo não passou de um susto e que possuir um jogador a mais, por uma etapa inteira, ainda não é condição de vantagem se você joga contra os catalães.

“Acima do futebol”, disse uma vez Eduardo Galeano, “está a lenda”. Antes de entrar no Camp Nou, era só nisso que pensava e, claro, em como essa citação coberta de genialidade poderia resumir meu sentimento em relação à ausência de Messi. Depois, agora mesmo, momentos depois de deixar as arquibancadas azuis do setor 342, saio completamente satisfeito com o que vi e seguro de que não esquecerei jamais o dia em que vi a melhor equipe de minha geração. Meu filho, acredito, ainda se sentirá orgulhoso.

E, Messi, nos vemos – ou não – em 2014!

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Em 5 de dezembro de 2010, quando o Brasileirão daquele ano acabou, Danilo era titular no meio-campo corintiano, apesar dos altos e baixos. Nunca foi unanimidade dentro da torcida, é verdade, mas era o preferido do técnico Tite. 2011 chegou e as atuações oscilantes continuaram. O experiente meia convencia e decepcionava. Jogava bem dia sim, dias não. Foi aí que bancá-lo como titular, com Morais, Bruno César e Ramírez no elenco, tornou-se um estorvo. Hoje, respaldado por uma boa atuação contra o Grêmio e com Bruno César fora do clube, além de Ramírez servindo a seleção peruana, Danilo acabou tendo nova chance. No final das contas, oscilou também durante o jogo, atuando muito bem no primeiro tempo e fora dos padrões da Fiel no segundo, o que lhe rendeu ouvir seu nome sendo amaldiçoado por toda a torcida presente à Arena Fonte Luminosa. Mas Tite, que também não ficou de bem com a torcida, resolveu bancá-lo e não o tirou. Decisão que, ao final das contas, rendeu três pontos ao Corinthians, com Danilo marcando o gol da vitória por 2 a 1. Vitória essa que garante 100% de aproveitamento ao Timão e 100% de certeza de que Danilo merece uma chance.

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Forte exemplo de como o Brasileirão pode ser surpreendente foi a emocionante peleja entre os recém-ascendidos à elite do futebol nacional América-MG e Bahia. Ali em campo não estavam craques da Europa ou gênios do marketing, mas o resultado final foi acima das expectativas. Veja bem, caro internauta, não é exatamente que se esperasse pouco do jogo. Quem ousar chamar-se bom entendedor de futebol saberia reconhecer o valor de um jogo que marcava a volta de um Bahia bicampeão nacional à elite. Mas a disputa pela audiência com outros blockbusters do horário era quase perdida. Acontece que o roteiro surpreendeu.

O primeiro tempo foi todo do Bahia. Com o América acuado, marcando atrás, Lulinha e os homens de frente do tricolor acabaram fazendo seus nomes e protagonizando algumas jogadas de perigo, até que, pela insistência, PC Oliveira marcou um pênalti e obrigou os baianos a abrirem o placar. 1 a 0. Na volta do intervalo, reviravolta. O Bahia sequer voltou a campo. Só deu América. Que também por insistência acabou empatando – e virando – com dois nomes que vieram do banco mandados por Mauro Fernandes, a verdadeira estrela da noite.

 (Foto: Cristiano Andujar / Agência Estado)

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Se há uma constatação importante a ser feita pelo lado alvinegro do duelo entre Ceará x Coritiba, ela deve apontar necessariamente a média de idade avançada de seu elenco. O jogo, em sua grande parte equilibrado por duas belas equipes, não o foi em seus últimos 20 minutos, onde se viu ampla vantagem do Coxa. Mas onde encontrar resposta para isso, perguntam os cearenses? Muita calma, a conta é simples e a resposta ainda mais fácil de ser dada, sem traumas: é improvável a um time com média de idade de quase 31 anos, chegar aos 90 minutos correndo como quem ainda tem todas as carreiras pela frente. Isso mesmo, o cansaço pegou o Ceará, dono desta impressionante marca, e que ainda possui dois jogadores de 37 anos no time titular. A diretoria alvinegra já tem algo a rever para o restante da maratona que o calendário do futebol brasileiro proporciona. Mas hoje, no duelo dos Vovôs, amigos, saiu em vantagem aquele que economizou no apelido e levou a campo uma média mais modesta: 26.

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Se fosse preciso descrever a final do segundo turno do Campeonato Cearense em uma única e definitiva palavra, a decisão mais acertada seria “Nostalgia”. E eu tenho como provar.

Eis o cenário: domingão quente na cidade. Dia de decisão no futebol. Em todo lugar, claro, não se fala em mais nada. Com o perdão das compreensivas mamães, nostálgicas pelo tempo em que podiam evitar, os 15 mil primeiros a confirmar presença seguem em direção ao Estádio Presidente Vargas. O velho caldeirão, palco de inúmeras glórias dos clubes cearenses, volta a receber um jogo oficial depois de três anos adormecido. E logo em uma final, fato que já não era mais costumeiro, visto que, com a inauguração do Castelão, em 1973, o PV passa a ser preterido por não suportar grandes públicos.

Pois bem, a torcida do Ceará, que também já não suportava mais o jejum de títulos, e naturalmente morria de saudades das comemorações, fazia figa para nada dar errado contra o Leão do Mercado, o Guarani de Juazeiro, antes tradicionalíssimo time do interior do Estado, mas que também andou adormecido e preterido ao rival concidadão, o Icasa.

Preterências à parte, o fato é que o jogo foi mesmo muito esperado. Apontado como favorito desde o início do ano, o alvinegro cearense enfrentava a segunda melhor equipe da competição, e única de quem ainda não havia ganhado. O jogo prometia ser duro. Nunca houve dúvidas em relação à qualidade do rival. Mas o fato é que, no final das contas, e desde o primeiro apito, prevaleceu a tradição e a superioridade técnica. O Ceará manteve a partida sob controle durante os 90 minutos. O grande pecado do Guarani foi, curiosamente, ser um adversário digno, mas que, ao levar o primeiro gol com um chutaço de Thiago Humberto de fora da área, abriu espaço demais para um adversário que, se já era bom, hoje contava com ainda mais velocidade com a entrada de Osvaldo no lugar de Iarley.

E é aí, quando aos 37 minutos do primeiro tempo o placar marcava 3 a 0 e a torcida já gritava ‘é campeão’, que a final começa a se transformar de nostálgica em histórica. Histórica porque, ao aplicar um memorável 5 a 0 na decisão, além de confirmar o título, o Ceará ainda consegue emplacar o artilheiro do Campeonato (Marcelo Nicácio, que acabou marcando dois) – feito que não acontecia desde 1996, quando Pintinho marcou 22 vezes – e ainda tornar-se o maior campeão do Estado, com 40 títulos.

Quarta-feira o Ceará esquece tudo e recebe (de novo no Presidente Vargas) o Flamengo pela Copa do Brasil. Jogo importante. Até lá, elenco e torcida garantem estar concentrados e focados para a nova decisão. Se há foco, é difícil dizer, mas que dificilmente o Campeonato Cearense de 2011 fugirá da mente dos torcedores, isso eu sei e também posso provar. Afinal, nem com muito esforço se esquece um conquista histórica. No final, se pouco, sobrará um sentimento nostálgico do dia em que a História voltou a ser escrita como antigamente. Literalmente em preto e branco.

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Sentado ao meu lado, enquanto, até onde pude contar, o alemão à minha frente terminava sua quinta cerveja, Sep me explicou o porquê de haver tantas crianças no estádio em um clássico tão importante (e possivelmente tenso) entre Bayern x Bayer na Allianz Arena. “Ora, mas este é um programa de família”, simplificou ele. Sep é alemão. E, se acompanha futebol com frequência, sabe que meu espanto não é completamente infundado.

Mesmo na Europa, seja na Inglaterra, Grécia, ou em qualquer outro lugar, ouvimos repetidamente notícias de violência em estádios de futebol. Infelizmente, essa relação sem graça entre o esporte favorito do mundo e a idiotice não é exclusividade tupiniquim. O fato é que aquilo tudo me pegou de surpresa. Como amante do futebol, claro, já esperava ver algo inesquecivelmente belo e organizado. Agora, como turista cego por preconceito e burro o suficiente para sustentar estereótipos, tive uma experiência realmente arrebatadora. Acompanhar um clássico alemão in loco, que teve todos os seus ingressos esgotados há pelo menos dois meses, pode ser considerada a definição perfeita de entretenimento. E apenas isso.

Tudo começa antes mesmo de o jogo começar de fato, quando um sinhozinho simpático, do gramado, comanda o pré−jogo. Meu conhecimento da língua alemã beira o inexistente, mas posso afirmar que o que ele falava tinha algum fundamento, já que ninguém despregava os olhos dos telões. Além de falar bastante, o velho simpático entrevistava algumas pessoas (que eu também desconhecia) e brincava com três rapazes que haviam ganhado uma espécie de concurso e assistiriam ao jogo à beira do gramado a bordo de um sofá.

Durante o jogo, a cada gol (o Bayern fez cinco), o locutor da Arena interagia com a torcida, nos fazendo gritar o nome do autor do tento e também o placar atualizado. Tudo para que a pequena quantidade de torcedores do B. Leverkusen não esquecesse absolutamente nada daqueles 90 minutos em que foi dominada.
Pois bem, ainda em relação aos gols, aí vai o meu único registro negativo: todos eles são comemorados com certa frieza. Ninguém pula ou abraça desconhecidos encharcados de suor. Ao contrário, o balançar das redes é sempre recebido com palmas discretas e uma música mais apropriada a um evento medieval. Interessante. Mas quase inconcebível a um brasileiro acostumado às arquibancadas.

Escrevo o fim deste texto deixando a Bavária de trem em direção a Praga, um dia depois de visitar a Allianz Arena. Lá fora, ainda é possível perceber que a invasão de uniformes e bandeiras do “Bayern München” continua. Aqui dentro, um casal, que não me deixa dormir e me obrigou a voltar a escrever, comenta algo sobre Schweinsteiger e creio também ter ouvido “Champions League” (meu alemão melhora a cada dia) com um sorriso no rosto. A impressão sentida por todos é que o jogo deixou o clima da cidade mais leve. Há agora uma atmosfera absolutamente renovada. E penso que é esse mesmo o grande barato do futebol. E que a grande verdade é que ele pouco muda. Seja lá onde for.

Meu texto para a coluna deste sábado já estava devidamente escrito desde a última quinta-feira, quando, ao acordar, fiquei sabendo da saída de Dimas Filgueiras do comando técnico do Ceará. Pulando da cama, sofri uma espécie de catarse e corri direto ao notebook para vomitar tudo aquilo que pensava. O texto fluiu. Escrevi rápido como não é costume. A verdade é que talvez não existisse naquele momento ninguém tão indignado com a saída de Dimas quanto eu. Como torcedor, me dei o direito de me contradizer, já que fui visto – um dia antes – no Castelão, várias vezes amaldiçoando esquemas táticos com três zagueiros, dois volantes, matança de baleias e outras características estritamente covardes. É aí que você me pergunta: mas e o que aconteceu com o texto? Pois bem.. como torcedor, me dei o direito da contradição, de me indignar com o critério utilizado para a ‘demissão’ e mais ainda com o desprestígio e a ingratidão incalculáveis. Mas o contrato que firmei com vocês (vide primeiro post) não foi esse. Eu havia prometido não me comportar como torcedor, não trazer (minha) emoção pra cá, tentar ser imparcial, analítico e outras coisas que tornariam a minha coluna a mais chata deste espaço. E como não sou de quebrar promessas, deixo apenas o registro de que não considero a decisão acertada, apesar dos pesares e apesar de achar o nome de Vágner Mancini, um bom nome. Estou pensando, inclusive, em alterar o nome da coluna. Coluna do Vágner Mancini. Que tal?

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Na cobertura esportiva cearense, senti falta de falarem mais do novo técnico contratado. A saída do Dimas causou tanta polêmica, que negligenciaram essa parte. Fiz o esforço e listo abaixo, tudo que sei sobre o novo ‘cara’:

  • Vágner Mancini é paulista de Ribeirão Preto, lugar onde nasceu o mais gostoso chope brasileiro (acreditem, é mesmo).
  • Já jogou no Ceará e já foi treinado por Dimas Filgueiras.
  • Apesar de ter sido ótimo jogador, acabou ganhando mais destaque como técnico. É considerado um dos grandes nomes da ‘nova safra’ de treinadores brasileiros, que também conta com Silas, Dorival Júnior, Adílson Baptista e Mano Menezes.
  • Ganhou projeção nacional pelo excelente trabalho realizado no Paulista, onde foi vice-campeão paulista em 2004, campeão da Copa do Brasil (ATENÇÃO!), levando o possante e tradicionalíssimo time do interior de São Paulo a disputar uma Libertadores da América.
  • Além dos resultados dentro de campo, o trabalho de Vágner Mancini no Paulista se notabilizou pelo número de jogadores revelados. Estiveram com ele, naquela campanha, além de outros, o goleiro Victor (Seleção Brasileira e Grêmio), o volante Cristian (ex-Corinthians) e o zagueiro Réver (Atlético Mineiro) que, à época, eram jogadores absolutamente desconhecidos na grande mídia.
  • Depois do Paulista de Jundiaí, treinou times grandes, como Grêmio, Vitória, Santos, Guarani (onde considero que teve o único trabalho realmente questionável, apesar de o problema do Guarani ir muito além de comando técnico) e Vasco da Gama (tá bem, o trabalho no Vasco também foi questionável, mas lá também o buraco é bem mais embaixo).
  • É do time dos treinadores-diálogo.
  • Mas também conhece muito de futebol. É estudioso, e isso é o que vejo de melhor nele.
  • Dizem, é retranqueiro.
  • Mas Muricy também é.
  • E o Mano era.

E é basicamente isso..

Mas agora eu quero saber de vocês..

Na sua opinião, o que dá para esperar de Vágner Mancini?

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Abraços, SA e até a próxima!

 

P.S.: Em relação à mudança de nome da coluna, não se animem ainda. @AllysonPontes tem que ser convencido a trabalhar em outra arte. De graça!